31 de março de 2020

Hard liquor mixed with a bit of intellect

Quando era mais nova, no meu imaginário, sabia que um dia iria criar uma máquina do tempo. Já que é possível inventar de tudo, nunca me pareceu descabido mexer com o espaço e com o tempo. Seria apenas mais uma engenhoca, no meio de tantas. Isso, ou esperar que um senhor com o cabelo cinzento e despenteado o fizesse, e, pela altura em que fosse mais velha, já estaria pronta para a usar. Essa altura seria, portanto, agora. Mas não aconteceu. Ninguém criou essa tal máquina, nem mesmo quando mais precisamos delas. 

A vida tem-me ensinado que há muita coisa que não consigo mudar, por maior que seja a minha vontade, por maior que seja a necessidade. Fechar os olhos com tanta, tanta, força, que as pestanas chegam a doer - só para os abrir e a realidade ser diferente. 

Dei por mim a olhar para fotografias e a sentir exatamente o que senti no momento em que foram tiradas. Sem querer, descobri ali a minha máquina do tempo - com a excepção de que não foi necessário sair do sítio, nem realmente desafiar leis científicas. Sentada no sofá, olhei para a foto e imaginei-me naquele dia, vivi-o de novo. Dou por mim a fazê-lo vezes sem conta. A ser a heroína que imaginei e precisei, apenas com uma receita tão simples. O saudosismo por vezes é a nossa salvação.


fotografias: Developed Grain