something good

24 de maio de 2019

Dentro de mim estão todos os cenários que quero viver. As hipóteses, as vidas. Alguns deles já vivi e não sei, não me lembro. Imagino um sítio, uma praça. Estou lá no meio, e à minha volta estão corredores de pilares. Como se estivesse fechada num quadrado. Dentro de mim está um sítio e não sei qual é. Sempre quis saber e já falei deste sítio a tudo e todos. 
Procuramos lugares nos cantos mais escondidos dos nossos cérebros na esperança de encontrarmos uma resposta, quando a resposta não está lá. Então, vamos sempre a correr num infinito escuro para uma luz que fica sempre mais longe. Procuro sempre saber que lugar era este. Vasculho no meu passado porque é mais fácil do que vasculhar no futuro, mas até perceber que não é lá que vou encontrar qualquer tipo de resposta, a corrida mantém-se. Um dia, mudo a rota. Não vou procurar mais. Um dia, estou a andar nessa tal cidade desfigurada e, do nada, vou encontrar essa praça cheia de pilares que tão bem imagino. 

Para a vida, façamos o mesmo. 


Foto: Irís Cabaça 


Я написал вам две строки

10 de maio de 2019

Escrevi duas linhas e pensei no impacto que elas teriam no meu futuro. Se me iria identificar com elas após estarem no mundo. Pensei se as queria publicadas. O que faz sentido agora e o que faz sentido depois? Colocamos constantemente questões e as linhas ficam cheias de pontos de interrogação. Duas linhas que nem se cruzam mas que estão cheias de significado, pelo menos na nossa língua. Noutras, nem tanto. Seriam apenas linhas. Ou então uma mancha preta. 




Fotografia: Íris Cabaça