20 de abril de 2019

so much time on the other side

Vejo pessoas de punhos cerrados. Olhos fechados. Bocas tapadas. Vejo sentimentos presos e braços que querem dançar mas não podem. A consciência do ser e fazer é o que nos liberta, e é quando sabemos que estamos a agarrar-nos com muita força que nos podemos soltar. Soltar das nossas mentes, dos nossos músculos que nos prendem e não nos deixam falar. Seremos todos mais livres se dos nossos braços fizermos penas e das nossas mentes caixas abertas. Melhor ainda, nuvens, consistentes mas que se dissolvem e se adaptam às situações. Quero mais mãos abertas para que os pensamentos voem e façamos algo lindo, como deixar que as mãos falem por nós. Como dançar. Deixar que tudo saia, tudo entre. Sempre sem medos, de olhos abertos, mãos abertas, braços abertos. Não sabemos que somos dançarinos até o permitirmos. 



fotografias: Joana César 


14 de abril de 2019

more than words

Começamos a falar muito antes de termos consciência de que o estamos a fazer. Eu mesma já falei tanto sem saber, sem abrir a boca. Tantas vezes quis dizer algo e, sem o saber, disse mesmo. 
 Todas as vezes que os meus olhos tocam alguém há algo que eles dizem e não o consigo impedir. É como que uma estrada que parte do meu cérebro. Uma via rápida. Lá, voam pensamentos e sentimentos a velocidades assustadoras. Comecei a falar cedo. A falar. A cantar. A sussurrar. Ainda assim, não sei falar sem ser com o olhar. 


fotografias: Tiago Carvalho 

4 de abril de 2019

in a far and distant galaxy

Os universos misturaram-se - o Vertigo com o Moonrise Kingdom  -, e ali estava eu, com uma máquina e a minha inocência numa escadaria tão frágil como a vida. 


fotografias: Joana César


2 de abril de 2019

unravel me

Talvez o maior mistério 
Seja o mistério 
De achar se é mistério ou não