um, dois, três

30 de janeiro de 2019

A conta que Deus fez, dizem. Para mim, é a contagem que faço e que se costuma prolongar até me acalmar. Conto os números e as cores à minha volta até me esquecer do pensamento que me perturba e me deixa com o coração apertado. Ah, se fosse só o coração - é o corpo todo. As palmas das mãos, mesmo que geladas, ficam suadas. Um quente e frio muito estranho. A sensação de que algo vai correr mal está presente cá dentro, e está a puxar o meu coração com uma corda, apertando e tornando o laço num abraço demasiado sentido para permitir o palpitar. 
Os pensamentos estão todos numa maratona sem fim nem organização. Os caminhos são infinitos. Não sabem de onde partem nem para onde vão. Aparecem ser avisar, tornando quem já lá estava numa posição desconfortável. Fazem com que deixem de acreditar em si, no seu trabalho, nas suas conquistas. Às vezes dura dez minutos, outras vezes meia hora. As contas, o quente e frio, o coração apertado, a maratona de pensamentos. 

Um, dois, três. Todas as coisas do universo acabarão por se encaixar. Umas nas outras. Como os meus pedacinhos em momentos como este. 


Sem comentários: