um, dois, três

30 de janeiro de 2019

A conta que Deus fez, dizem. Para mim, é a contagem que faço e que se costuma prolongar até me acalmar. Conto os números e as cores à minha volta até me esquecer do pensamento que me perturba e me deixa com o coração apertado. Ah, se fosse só o coração - é o corpo todo. As palmas das mãos, mesmo que geladas, ficam suadas. Um quente e frio muito estranho. A sensação de que algo vai correr mal está presente cá dentro, e está a puxar o meu coração com uma corda, apertando e tornando o laço num abraço demasiado sentido para permitir o palpitar. 
Os pensamentos estão todos numa maratona sem fim nem organização. Os caminhos são infinitos. Não sabem de onde partem nem para onde vão. Aparecem ser avisar, tornando quem já lá estava numa posição desconfortável. Fazem com que deixem de acreditar em si, no seu trabalho, nas suas conquistas. Às vezes dura dez minutos, outras vezes meia hora. As contas, o quente e frio, o coração apertado, a maratona de pensamentos. 

Um, dois, três. Todas as coisas do universo acabarão por se encaixar. Umas nas outras. Como os meus pedacinhos em momentos como este. 


HOLLAND PARK

Holland Park foi muito bonito de se ver. Apesar de ter convivido com esquilos agressivos - visto que o parque era muito sossegado e não estão tão habituados a presença humana nem a retirar os amendoins das nossas mãos como nos outros parques -, senti que estava no meio de uma energia muito positiva e limpa. Os parques em Londres são todos muito idênticos, mas este, no meio de Notting Hill, tornou a experiência diferente apenas pelas cores que tinha. Intensos laranjas, verdes desvanecidos, castanhos que me lembram as fotos antigas que o meu pai tem desta cidade. Ali, recreei uma memória antiga que tenho de Londres. Deixei a memória ainda mais bonita, em analógico.


Fotografia em filme por Pedro Lima


WHAT I'VE BEEN LISTENING

29 de janeiro de 2019



A última vez que peguei nesta rubrica foi em 2017, o que acho uma tremenda pena e um desleixo vergonhoso da minha parte. Desde então, conheci imensas bandas novas, músicas que me fazem viajar no tempo e espaço, sons que merecem ser partilhados. Decidi que, em vez de mensalmente, irei publicar esta rubrica sempre que achar que há algo novo para partilhar com vocês. Aqui estão as músicas que mais tenho ouvido ultimamente. Espero que gostem! Contem-me se ouvem algo do que está abaixo! 


1. Novo Amor - Anchor






2. Tiago Nacarato e Salvador Sobral - Tempo 





3. Blossoms - There's a reason why 




4. Calvin Harris e Jessie Reyez - Hard To Love






5. James Blake e Rosalía - Barefoot in the park




STREETS OF LONDON

19 de janeiro de 2019

Se as fotografias fossem um portal do tempo, colocava todas estas dentro da máquina mágica e transportava-me sem pensar duas vezes, tenho tantas saudades! As ruas cheias de gente e as regras de organização para facilitar o movimento são algo que não esquecerei facilmente. Estas fotografias foram tiradas no meu primeiro dia em Londres, onde fui conhecer o centro e os principais monumentos, como as famosas pontes, o London Eye ou o Big Ben, embora esteja tapado para obras. Os meus ténis foram a melhor coisa que poderia ter levado, visto que andei perto de 19km todos os dias. Apesar do cansaço, a vontade de ver e conhecer era maior. A parte positiva é que para além de ter visto tudo de fio a pavio, fiquei com as pernas um pouco mais tonificadas!

fotografia e edição: Francisca Maria



Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

17 de janeiro de 2019

Mesmo antes de seguir para a Abbey Road, encontrámos uma estação de metro muito silenciosa e vazia, algo que pouco vi em Londres durante os oito dias que lá estive. Um corredor de vento frio levantava o meu cabelo de forma graciosa e, do nada, o tempo estava mais vagaroso. Nunca tinha sentido vontade de tirar fotografias no metro como tive naquele dia. O momento perfeito, à hora ideal. De dois em dois minutos, o espaço era invadido por dezenas de pessoas que seguiam para as suas vidas atarefadas. E eu ali, a imortalizar a minha viagem. 

fotografia e edição: Francisca Maria




it was london

16 de janeiro de 2019

Não vi Londres pelo London Eye mas vi por um rooftop pouco concorrido perto da St. Pauls. E que boa escolha foi esta. No sossego que gosto, para poder desfrutar da vista sem me preocupar com o facto de poder estar a tapar a vista de alguém. Sabem aqueles momentos em que anulamos tudo à volta e ficamos apenas a olhar para o que nos é dado pelo mundo e pelo homem e nada mais existe? Exatamente. Conseguia ver praticamente toda a cidade daquele ponto de vista. As torres enormes, os edifícios antigos. Eu e o vento frio de Londres.

fotografia e edição: Francisca Maria



god save the queen

13 de janeiro de 2019

Começo o ano da melhor forma: a relembrar Londres. A viagem que queria fazer desde que me lembro de ter memória. Já lá tinha ido, mas era pequena o suficiente para ter apenas pequenos segundos de lembranças em vez de pinturas vividas cheias de cheiros, sons e sabores. Não sei como vos contar tudo o que vivi e vi, mas quero começar por algum lado, então decidi começar por partilhar algumas fotografias de arquitectura e paisagem que por lá tirei. Tenho muito mais por mostrar, mas sei que não representará nem metade do que vi e senti por lá. Sabem aquela sensação de pertença? Sempre a tive relativamente a esta cidade. É estranho. E assim que lá pus o pé senti-me completa, mas vazia. Completa porque estava no sítio onde sempre quis estar, vazia por saber da sua efemeridade. A luz e as cores de Londres conquistaram-me. A sua forma de ser, artística mas clássica, bem comportada mas rebelde, é a poção perfeita para eu ficar caidinha. Já se passaram umas semanas, mas não te esqueci, minha cidade. Preparei uma playlist para a viagem chamada "I Love London". Ainda a ouço como se estivesse prestes a descolar.