21 de novembro de 2019

lugar comum

A vida é como o sistema solar. Gravitamos à volta do mesmo, vezes sem conta, sem repararmos. Somos puxados para os mesmos sítios, como que um ponto de encontro não combinado. São pequenas migalhas que são deixadas ao longo do caminho e que vamos seguindo de olhos vendados. No nosso cérebro, ficam ideias a levitar, tarefas por acabar, e os sítios, as pessoas que fazem parte desse sistema, dessa galáxia, andam por lá também, e puxam-nos com todas as forças para que, inevitavelmente, orbitemos por lá.


fotografia: Joana César 

20 de setembro de 2019

começar do zero

Gostar de algo é cuidar, limpar, tratar. Não devemos colocar mais móveis dentro de uma casa desarrumada. Procurar que esta fique mais bonita quando está cheia até ao céu. Esta minha casa estava com algumas teias e mobília que já não fazia sentido para mim. Mas não tem mal. Tudo pode ter solução.
Não quero uma revolução, quero uma manhã clara e limpa, com sol e silêncio. Por isso, decidi começar do zero. Arquivei todas as publicações antigas e vou adicionar um capítulo novo a este livro. Com tudo aquilo que conseguir, com mais ideias, mais motivação, e, principalmente, muito mais de mim como sou, 100% Carolina. Sem medos nem restrições. Vou falar de tudo o que achar que merece ser falado, desde música a filmes, alimentação a saúde, desporto, ou até mesmo vida de sofá. Com mais frequência e dedicação!


Continuo a amar tudo aquilo que fiz até hoje, mas tudo tem um fim e um início, e, por vezes, esse fim e esse início são exatamente o mesmo. O que começou em 2012 agora ganha um novo propósito, e, do fundo do coração, espero que embarquem nesta viagem comigo e gostem muito muito muito!


4 de abril de 2019

in a far and distant galaxy

Os universos misturaram-se - o Vertigo com o Moonrise Kingdom  -, e ali estava eu, com uma máquina e a minha inocência numa escadaria tão frágil como a vida. 


fotografias: Joana César


8 de março de 2019

cinco artistas musicais femininas

Achei que o dia de hoje era excelente para vos dar a conhecer um bocadinho mais dos meus gostos musicais, nomeadamente música feita por artistas femininas! As mulheres são mágicas a fazer tudo e  a música não é exceção, por isso, aqui ficam cinco das minhas preferidas. A seleção que fiz teve como critério a emergência artística. Achei que faria mais sentido mostrar-vos conteúdo "menos conhecido". Espero que gostem! 

colagem feita por mim 


Angèle 


Uma voz doce de 23 anos que canta em francês e encanta no mundo inteiro. São músicas com uma batida que dá imensa vontade de dançar, confesso. A Angèle tem uma estética fabulosa nos seus videoclips que me faz lembrar Wes Anderson e foi assim que chamou a minha atenção. A simetria e a cor dançam nos seus vídeos a par com as histórias que ilustram as músicas. Adoro os singles Jalousie, Je Veux Tes Yeux, La Loi de Murphy e a música Balance Ton Quoi. No meio disto tudo, aproveito e vou aprendendo um bocadinho de francês.


Sabrina Claudio 

A Sabrina é uma deusa autêntica. Ultimamente, tenho adorado ouvir R&B contemporâneo e a Sabrina faz coisas maravilhosas. Com 22 anos, tem uma estética muito etérea, que musical quer visualmente. Dá-me muitas girlpower vibes que admiro e tenho a certeza de que será gigante nesta indústria. A Unravel Me é uma música que me faz sentir fora do corpo e com vontade de dançar devagarinho. Adoro.


Laurel 


Acho que se fosse artista musical, seria muito como a Laurel, a britânica de 24 anos que é irreverente, doce e provocante. Um indie rock com as suas veias pop que
Ela escreve, produz e grava toda a sua música, o que lhe dá ainda mais pontos de girlboss, yeah. Para além da Adored, adoro muito a To The Hills, uma música com o seu quê angelical mas ainda assim muito poderosa.

MARO 


Ah, a Maro. Que voz maravilhosa! A Mariana é portuguesa e tem uma voz linda. Ouvi-a ao vivo no concerto do Jacob Collier, com quem está em tour, neste momento, a convite do mesmo. É ar fresco nacional e só por aí tem muito mérito. Espero que continue a crescer e que seja ainda mais valorizada, porque merece!

Nai Palm 

Não me lembro de como conheci a Nai Palm. Acho que foi através das descobertas do Spotify. E que boa descoberta! Estou muito viciada no seu último álbum Needle Pow, principalmente na música Atari. Uma mistura de géneros, desde jazz a hip hop. Uma viagem de sentimentos que, ultimamente, tem sido a minha favorita enquanto escrevo e edito fotografias.


Espero que tenham gostado! Ouvem alguma destas artistas? Se tiverem alguma sugestão, deixem em comentário!

Um texto para se ler todos os dias do ano

Tenho uma rosa tatuada por todas as Rosas da minha vida. A minha mãe. A minha bisavó. Mulheres que me inspiram diariamente. Não cheguei a conhecer a minha bisavó, mas de todas as histórias que sei dela, percebo que herdei a sua força e determinação. Imagino-a a lutar pelos seus direitos, a não se deixar ficar mal e a colocar-se à frente na hora de lutar pelos seus objetivos. Na verdade, não é só a bisavó Rosa que eu imagino assim, mas sim todas as mulheres que respiram o oxigénio deste mundo. Vivemos lutas diárias que nos elevam a categorias de deusas, fazendo o mundo crer que o politeísmo é real e que estamos todas a partilhar um lugar divino e etéreo de liderança. Pelo menos, é assim que pretendemos ser vistas, consideradas, tratadas. Mas a realidade não é essa, e, muitas vezes, somos as escravas do templo sagrado. Espezinhadas, mal tratadas, desconsideradas. A receber menos do que os homens. A ficar mal vistas quando fazemos atividades ou trabalhos que, “supostamente”, não podem ser feitos por outro género que não o masculino. Como se houvesse um livro sagrado que ordenasse algo assim, como que regras que não devem ser postas em causa. Estereótipos que se desenvolveram ao longo dos séculos e que não fazem sentido algum. “És mulher, como é que sabes tanto de futebol?”, “tu, a fazeres um desporto de homem?”, “esse curso é demasiado masculino para ti”, “tens um humor muito masculino”, “nem tens força para abrir esse frasco, pede a um homem”. Tudo citações que podem ser ouvidas diariamente de forma muito fácil. Pratiquei taekwondo durante cerca de seis anos, embora todos esperassem que eu fosse menina de ballet. Não era suposto, não é, sociedade? Pois bem, vou-te contar um segredo: algumas regras devem ser quebradas. Lá porque é algo tido como verdade universal, não significa que esteja correto. É apenas uma falsidade à espera de ser deitada abaixo.  Há mulheres bombeiras, calceteiras, gestoras, mecânicas, realizadoras, empreendedoras, fotógrafas, arquitetas, matemáticas, astronautas, mulheres. Tal como deve ser, a exercer um trabalho que qualquer ser humano é capaz de realizar. A bisavó Rosa não aprendeu a ler nem a escrever, infelizmente. Na época, as mulheres não iam à escola, ficavam em casa a limpar, a cuidar dos irmãos, a fazer recados. No entanto, a bisavó Rosa sabia muito da vida. Cresceu e tornou-se comerciante, daquelas que nos sabem demover bem. Mais do que uma estatística, foi uma realidade, e a bisavó Rosa foi mais uma das mulheres que, mesmo analfabeta, sabia que poderia chegar longe. 
O mesmo acontece com todas as Rosas deste mundo, que, mesmo quando não conseguem maximizar as suas capacidades devido a um estereótipo, sabem que podem fazer nascer um jardim com o pólen  que é levado do seu interior.  


Infelizmente, de uma rosa, caíram treze pétalas, este ano. Na fotografia tenho onze, porque era a realidade até há dois dias. Não esperava que o número se alterasse. Nem devia ter acontecido. Houve alguém que não soube cuidar e regar. Que achou que puxar pelas pétalas não iria fazer com que elas caíssem. Só alguém que não percebe muito de natureza, claro. Alguém que vive no templo sagrado e que decidiu ter escravas para alimentar o ego e para se sentir um Deus.  
 O mundo é uma flor e as mulheres as suas pétalas. Não quero ver este mundo murchar, não quero ter de ver mais pétalas a cair. Não quero sentir que a tatuagem no meu braço se vai desvanecer porque um levantar de braço se tornou mais forte do que se esperava. Só quero ver os braços a serem levantados para abraçar e os corpos a serem inclinados para se beijar. Todos aqueles que cá andam para estragar o jardim não merecem nele entrar. Não quero ver mais pétalas a cair. Por favor.  


Que continuemos a lutar e a ser tudo aquilo que sempre sonhámos. Que desenvolvamos espinhos que nos vão proteger de quem vem por mal, mas que ganhemos a cor mais bonita nas nossas pétalas. Que quem vem por mal queira vir por bem. Que o mundo se torne mais mundo, mais florido, mais de todos, para todos.




5 de março de 2019

REFLEKTOR

Ser como um prisma que reflete todas as suas cores e texturas 
Enaltecer-me nos verdes
Apaixonar-me nos rosas
Alegrar-me nos amarelos 
Emocionar-me nos azuis 
Expandir-me nos liláses 
Todos os tons que existirem 
E nos que estão por existir 

Sentir cada cor da forma mais quente que existir
Antes que a luz se apague 






5 de fevereiro de 2019

RECOMENDAÇÃO DO DIA: RUSSIAN DOLL

 Natasha Lyonne escreveu, produziu Russian Doll e interpretou Nadia, personagem principal  (Netflix) 

Se tencionam começar a ver Russian Doll, o que aconselho a fazerem, habituem-se a este frame. Vão vê-lo muita vez. Porquê? A personagem principal desta série, Nadia, está presa num loop  que recomeça sempre da mesma forma: na casa de banho de Maxine, a amiga que lhe organizou uma festa para celebrar o seu 36º aniversário. 

 A história é desencadeada quando Nadia, uma mulher independente e com uma presença muito forte, representada por Natasha Lyonnesai pela primeira vez da festa e acaba por ser atropelada por um táxi. Misteriosamente, apesar de ter morrido, volta ao ponto de partida da noite e encara o espelho, sem perceber o que tinha acontecido e acreditando que tinha sido droga que a tinha feito ter alucinações. Rapidamente percebe que aquela noite seria a mais longa que já alguma vez tivera. Uma noite que começava sempre com a mesma música: a Gotta Get Up, de Harry Nilsson. Um Groundhog Day dos tempos modernos. Tal como um jogo que não nos deixa seguir em frente até completarmos as missões anteriores.

Uma história de loops - mentais e temporais -, que não é, de todo, repetitiva. Merece atenção, mas não ao ponto de se ficar com o cérebro feito em água, até porque a protagonista certifica-se de manter a comédia sempre presente, com o seu humor sarcástico, dono do seu nariz e inteligente. 
Foram oito episódios, de cerca de vinte minutos cada, que me deixaram presa, tal como a protagonista, a querer saber o que iria acontecer a seguir. Será que o universo queria tramar Nadia? Dar-lhe uma lição? Será um bug na linha do tempo? Será Nadia a única a ter uma noite infinita? Multidimensionalidade, infinitas opções e um puzzle maravilhoso que parece não ter solução. Uma boneca russa, cuidadosamente construída, que vai mostrando as suas camadas interiores.

Há terror, há drama, há comédia - uma caixa de surpresas. Um noir  que funcionou muito bem e que fez a Netflix triunfar mais uma vez. Terminou de forma muito completa e nõ pede segunda temporada, mas não me queixaria se existisse. O trailer é um pedaço do que podem esperar da série, e, eu, espero que gostem desta recomendação! 


30 de janeiro de 2019

HOLLAND PARK

Holland Park foi muito bonito de se ver. Apesar de ter convivido com esquilos agressivos - visto que o parque era muito sossegado e não estão tão habituados a presença humana nem a retirar os amendoins das nossas mãos como nos outros parques -, senti que estava no meio de uma energia muito positiva e limpa. Os parques em Londres são todos muito idênticos, mas este, no meio de Notting Hill, tornou a experiência diferente apenas pelas cores que tinha. Intensos laranjas, verdes desvanecidos, castanhos que me lembram as fotos antigas que o meu pai tem desta cidade. Ali, recreei uma memória antiga que tenho de Londres. Deixei a memória ainda mais bonita, em analógico.


Fotografia em filme por Pedro Lima


29 de janeiro de 2019

WHAT I'VE BEEN LISTENING



A última vez que peguei nesta rubrica foi em 2017, o que acho uma tremenda pena e um desleixo vergonhoso da minha parte. Desde então, conheci imensas bandas novas, músicas que me fazem viajar no tempo e espaço, sons que merecem ser partilhados. Decidi que, em vez de mensalmente, irei publicar esta rubrica sempre que achar que há algo novo para partilhar com vocês. Aqui estão as músicas que mais tenho ouvido ultimamente. Espero que gostem! Contem-me se ouvem algo do que está abaixo! 


1. Novo Amor - Anchor






2. Tiago Nacarato e Salvador Sobral - Tempo 





3. Blossoms - There's a reason why 




4. Calvin Harris e Jessie Reyez - Hard To Love






5. James Blake e Rosalía - Barefoot in the park




19 de janeiro de 2019

STREETS OF LONDON

Se as fotografias fossem um portal do tempo, colocava todas estas dentro da máquina mágica e transportava-me sem pensar duas vezes, tenho tantas saudades! As ruas cheias de gente e as regras de organização para facilitar o movimento são algo que não esquecerei facilmente. Estas fotografias foram tiradas no meu primeiro dia em Londres, onde fui conhecer o centro e os principais monumentos, como as famosas pontes, o London Eye ou o Big Ben, embora esteja tapado para obras. Os meus ténis foram a melhor coisa que poderia ter levado, visto que andei perto de 19km todos os dias. Apesar do cansaço, a vontade de ver e conhecer era maior. A parte positiva é que para além de ter visto tudo de fio a pavio, fiquei com as pernas um pouco mais tonificadas!

fotografia e edição: Francisca Maria