19 de fevereiro de 2018

my cherries and wine, rosemary and thyme

Ainda tinha algumas fotografias da sessão com o Misto por partilhar, sessão essa cuja inspiração foi a Dolce & Gabbana. A marca, conhecida pela sua vibe de realeza, cheia de rendados e pormenores que nos lembram monumentos barrocos, contribui para o meu mood board muito frequentemente e desta vez não foi excepção. Foi através da gola do vestido, da renda do mesmo, do pormenor do inseto nos sapatos e da escolha do local que consegui chegar lá. Espero que gostem tanto desta segunda parte quanto eu!


12 de fevereiro de 2018

so no one told you life was gonna be this way?

Vou contar um segredo: costumo escolher os títulos das publicações de acordo com o mood das fotografias. Ok, pronto, não é um grande segredo! A maioria das pessoas que me lê já percebeu isso, até porque adoro quando há quem identifique as músicas que menciono e o escreve nos comentários. Geralmente é o título de uma música que estava na minha cabeça no dia em que tirei as fotografias ou escrevi o texto. Desta vez, o título nem precisa de apresentações e posso dizer até que combina mais que bem com as fotografias, nomeadamente com a camisola. 

Da camisola não surgiu só o título mas também a inspiração para o look inteiro. Adoro o estilo da Monica e da Rachel - da série Friends, para quem ainda não está situado - e por isso mesmo, desta vez, decidi incorporar um pouco das duas no meu estilo. A Monica no blazer e nas calças de ganga, a Rachel no padrão das bolas e nas botas. É difícil encontrar umas calças de ganga em que me sinta confortável - nos vários sentidos da palavra -, e estas, por acaso, foram uma agradável surpresa. Fogem um bocadinho ao comum através do bordado no joelho, o que lhes proporciona mais um ponto positivo, tal como as botas, que, com um salto diferente do habitual, tornam tudo mais animado. Um look casual mas com detalhes diferentes! Espero que tenham gostado. Quem também está a ver/via Friends? Acusem-se!

Shirt and boots from Stradivarius | Blazer from Shein | Jeans from Heaven's | Bag from Mango 

6 de fevereiro de 2018

se me deixasses ser o sítio onde podes voltar

fotografias: @misto.jpg

Tinham saudades de me ver neste registo tão aperaltado? Eu cá tinha algumas, mas as dores que os sapatos novos me causaram deixaram-me com uma sensação agridoce no final do dia, confesso. Janeiro foi, para mim, um mês de voltar às origens e de pensar no meu propósito e rumo, não só na vida mas também no blog, como puderam reparar pela última publicação. Quero ter uma voz mais ativa e fazê-la demarcar-se, se possível, relativamente a assuntos importantes na conjetura atual, mas vão poder notá-lo ao longo dos próximos meses! Continuando, o início do ano deixa-me sempre nostálgica. Além disso, é o mês do meu aniversário. Este ano já cá cantam 21 primaveras, e, por isso mesmo, decidi aguentar as dores dos sapatos por um dia e fazer uma sessão fotográfica com uma mistura do que era quando comecei o blog com o atualmente: uma menina apaixonada por tudo o que é clássico, vintage e palácios mas também pelo que é simples, minimal e prático. 
Quero agradecer especialmente ao Pedro e à Bárbara por me terem fotografado no dia 24 - um dia antes do meu aniversário -, aos senhores do jardim do Palácio Marqueses da Fronteira por se rirem das minhas caretas e danças durante a sessão e também ao meu casaco cinzento por me proteger de ter tido uma hipotermia. 



Coat from Primark | Dress and Shoes from Zara | Sunglasses from Giant Vintage 

1 de fevereiro de 2018

#OPODERDANOSSAVOZ

Os eventos que aconteceram nos últimos dias inspiraram-me a usar a minha voz. Não foram eventos felizes. Se estão a par deste mundo dos blogues e da internet, já devem saber o que aconteceu com a Alexandra Pereira, a blogger do Lovely Pepa. Para quem não está a par, ela fez um vídeo de meia hora onde revelou que desde cedo sofre de bullying e que, hoje em dia, sendo uma figura pública, é atingida diariamente com comentários maldosos, de ódio e até mesmo ameaças. É algo que a que toda a gente que se expõe está sujeita, infelizmente. O mais chocante foi quando revelou que a Vogue Espanhola detém e permite vários fóruns sem controlo/moderação com o objetivo de se comentar o estilo de figuras públicas/bloggers/famosos - e onde, claro, o ódio é fomentado. Um dos fóruns era exclusivamente dedicado à mesma e, lá, conseguiu encontrar mais de setenta mil comentários carregados de malícia. 



A Vogue, entretanto, já reagiu com um pedido de desculpas e com um apagar imediato dos fóruns. Não é fácil para ninguém. Ler algo sobre nós, sobre a nossa família - que muitas das vezes nem sequer está exposta mas acaba por ir de arrasto -, ler algo sobre o nosso corpo, sobre as nossas "imperfeições". Não consigo imaginar o que será ter o alcance da Alexandra Pereira, uma mulher de sucesso e que nunca, pelo meu conhecimento, teve uma má atitude, e ler o que lá se passava naquele fórum. Não consigo imaginar também como é que uma empresa como a Vogue deixou que tudo acontecesse "debaixo da mesa" e que, mesmo após várias queixas (porque a Alexandra não foi a primeira a expor o caso) nada fosse feito para impedir o cyber bullying. Fiquei triste não só porque, como sabem, sempre adorei a Vogue por si só, mas também porque o sucedido me relembrou que esta indústria da moda por vezes tem uns caminhos muito poeirentos e com alguns diabinhos a sussurrarem aos nossos ouvidos, a tentarem puxar-nos para o lado mais fácil mas também menos digno. Então neste mundo dos blogues, acreditem, já presenciei muita coisa feia. Não queria estragar a magia para ninguém, mas é a verdade. 

Atrás de um computador, todos conseguimos ser grandiosos. É tão fácil sê-lo, protegidos por um ecrã e um teclado que consegue transportar os piores e mais sujos pensamentos do nosso - salvo seja - cérebro para uma página online. Um "enviar" ou "publicar" e está feito, está o mal espalhado, não há cá consequências porque é a internet e hoje importa, amanhã já não. 
Não. Não é assim. As atitudes têm consequências em todo o lado. A internet não veio suavizar nada, as palavras doem na mesma - podem até destruir alguém. Temos todo o direito de nos sentirmos tristes com o que lemos sobre nós, a dor é válida, tem o mesmo impacto. Não se deve nem se pode desvalorizar o mal que é feito no mundo, seja ele físico ou virtual. 




Com isto tudo, e após pensar muito sobre o assunto, decidi falar um pouco sobre algo que me aconteceu ainda eu era uma adolescente muito perdida neste mundo. Acreditem, meditei um pouco sobre o assunto. Durante alguns tempos, senti muita vergonha disto. Entretanto, percebi: não há que ter vergonha. Eu não fiz nada de mal, sempre fui eu própria, sempre quis partilhar as minhas paixões com o mundo. Não há mal nisso. Ser mulher, hoje em dia, significa estar consciente do que se passa no mundo e ter uma voz ativa, falar sobre as coisas e divulgá-las. Quero, então, ser uma mulher. Com M grande. 

Tinha acabado de criar o meu blog. Estávamos no verão de 2012. Estava tão feliz, finalmente tinha decidido criar este meu espaço e ainda era tudo novo, brilhante e um mar de rosas - no meu caso, um céu. Não tinha muita gente a ler o que fazia, mas tinha o essencial. Tão essencial que ainda trago algumas leitoras no peito. Uma delas, tornou-se a minha melhor amiga. A Sara comentava regularmente o meu blog. Não sei como me encontrou, mas rapidamente comecei a comunicar com ela e foi uma das inúmeras coisas positivas que este blog me deu. Queria partilhar com vocês todas essas coisas, mas hoje o assunto é outro. 

Voltando ao belo verão do ano de criação do blog. Estava à procura de inspiração e de forma de me expor ao mundo. Tinha os meus quinze, dezasseis anos. Tinha as minhas inseguranças normais da idade e ainda estava a dar os primeiros passos na exposição virtual, tanto que no início ainda demorei a publicar fotografias em que a minha cara aparecesse - ficava cortada pelo pescoço, algo giro de se ver. Como já puderam perceber, estava à procura do meu pequenino lugar aqui, passo a passo, com muito medo. Sabia que a minha contribuição não era muita, mas queria dá-la. Bem sei, o que escrevia não era nada de especial, mas já era algo. 

Do nada, começo a receber imensas visualizações. Fui verificar as fontes de tráfego para descobrir de onde é que estava a receber tantas visitas. Percebi rapidamente que tinha sido criado um blogue que servia pura e simplesmente para gozar - não encontro palavra melhor - com bloggers e com as pessoas que trabalham nesta indústria - e eu, com a minha singela idade, já era uma das vítimas. Falo, portanto, do blogue Bimba Without The Lola. Não sei, até aos dias de hoje e passados tantos anos, quem está ou estava por detrás disto. 

Excerto do post
Entrando na publicação, era isto que se podia ver. "A Maria Lisboa é a Maria Vai Com As Outras". Contextualizando, a publicação em que pegaram para fazer pouco tinha como título "Maria Lisboa", que, para os autores, pelos vistos, era sinónimo de mais uma que ia no rebanho. Por amor a alguma entidade divina que ande por aí fora, eu era uma recém adolescente - para não dizer criança - e já estava a fazer comichão a alguém. Qual é o mal das pessoas fazerem aquilo de que mais gostam? 
Não foi nada fácil, sempre fui daquelas pessoas que gosta de entrar na brincadeira, mas a verdade é que aquilo me afetou bastante e durante algum tempo perdi a confiança no futuro do blog.  Logo eu, que desde nova era gozada pela altura e pelas sobrancelhas grossas. Geralmente, o pessoal gosta de suavizar este tipo de coisas. Dizer que é só uma brincadeira, para não se levar a mal, ou até mesmo que estamos a ser demasiado comiserativos. Eu ouvi de tudo, mas, principalmente, tive amigas que me apoiaram. Há problemas piores no mundo, é uma verdade! Ainda assim, não deixa de ser um problema para nós. A pequena borboleta de alguém foi o meu furacão interior. 

Excerto do post 

Quando li "vítima de todas as tontas que se acham mega bloggers de moda", caiu-me a ficha. Pensei "o que é que eu ando a fazer aqui, mesmo? Não tenho nem nunca vou ter jeito para isto". O pior é que via imensa gente no meu facebook a dar apoio a este blogue - não ao meu caso em particular mas sim ao blog em si -, principalmente pessoas com alguma influência neste mundo. O pessoal gostava do que lia, da chacota, do gozo, do rir à pala dos outros. Até porque cá em Portugal faz uma comichão enorme ter um blogue. Não sei se já repararam, mas é verdade. É-se atacado com mil e uma pedras. Li coisas sobre o mundo dos blogs como " Vivemos numa época em que qualquer pessoa se acha "isto ou aquilo" mesmo quando pouco ou nada percebe sobre "isto e aquilo"...e julgam que criando os seus próprios ego-bloggers com fotos tiradas na horta da avó, com péssima qualidade de imagem e com looks sem ponta por onde se lhe pegue, já são muito fashionistas e estão prontos para sair por aí a fazer styling e afins!". 

Para mim, é mais triste gozar com alguém do que se mostrar aquilo de que se gosta, tendo qualidade ou não. Quem somos nós para gozar com o próximo? É preciso ter cargas negativas muito extensas na alma para perder tempo com coisas deste género. Até porque a maior parte das bloggers que hoje em dia são conhecidas começaram do zero, com os seus "trapos da Zara", tal como eu. O pior disto, sabem o que é? As pessoas que apoiam estes movimentos e acham muito cool, criam os seus grupos - cheios de lobismo - e acham-se no direito de gozar, porque, claro, é assim que se ascende: concordando com o que os fixes dizem. Não. Não é fixe. Nunca foi. Só nos filmes americanos sobre escolas secundárias e dramas de cheerleaders. 


No meio disto tudo, o que me deixou mais triste foi o "percebeu que todas despejavam o vento das suas mentes numas coisas chamadas Blogs". Valorizo mais o interior do que o exterior, e se há coisa que não tenho é vento cá dentro, nem me lembro de em parte alguma do meu percurso o deixar transparecer, mas lá estavam aquelas palavras a fazer ricochete cá dentro. E que ricochete. Na altura falei até com os meus pais sobre isto. Percebem o impacto? Não é só uma publicação para os outros rirem. Mete piada para toda a gente menos para quem é mencionado. E tal como fui lesada à minha maneira, tantas outras bloggers o foram e tiveram de ler coisas maldosas a respeito das mesmas. 

Sei que tudo isto pode parecer fútil, minúsculo, sem motivos para uma publicação deste tamanho, mas é real e está a acontecer. Tal como aconteceu à Alexandra, tal como me aconteceu, tal como acontece a outros milhões de pessoas, o cyber bullying é real e tem o valor que tem. O amor deveria ser aquilo que mais se partilha neste mundo e infelizmente não é. Hoje em dia, parece que o bom é ignorar, ser-se mau, desvalorizar o próximo situações como esta. Se aguentaram e leram tudo até aqui, tenho a agradecer imenso. Pensei bastante, como já disse, sobre isto. Não quero transmitir ideias erradas ou fazer-me de vítima, mas sim dar uso à minha voz. 



Depois de tudo isto, tenho um apelo. Criei uma hashtag: #opoderdanossavoz. Acho importante aproveitarmos esta ferramenta que nos foi dada e aliá-la ao nosso poder. Enquanto seres humanos, devemos combater aquilo que nos destrói. Assim, usem a # no título das vossas publicações que falem sobre o cyber bullying ou alguma situação que queiram expor (se possível, deixem o link nos comentários porque eu adoraria ler e ajudar). Também o podem fazer através do Twitter ou Instagram. Espalhem a palavra! Vamos mostrar que não é bom criar este tipo de situações negativas nem alimentá-las. Esta foi a minha história, apesar de pequena. Obrigada por lerem! Juntos, não somos só uma gota mas sim um oceano!