from open eyes to twilight sleep

17 de fevereiro de 2019

Podemos demorar anos-luz a descobrir a beleza do universo
Mas, quando iluminados, percebemos que é irrefutável
A gravidade puxa-me para a verdade e, iluminada, agradeço por isso
Este sol aquece-me a pele e sinto a energia viva dentro de mim
E melhor ainda é descobrir que pertenço ao universo 
Sou feita de todas as suas partículas, pó intergaláctico, magias cósmicas
E vou apreciá-las
Uma a uma
Galileu, Copérnico, Carolina
Cada um apaixonado pelo universo à sua maneira












RECOMENDAÇÃO DO DIA: RUSSIAN DOLL

5 de fevereiro de 2019

 Natasha Lyonne escreveu, produziu Russian Doll e interpretou Nadia, personagem principal  (Netflix) 

Se tencionam começar a ver Russian Doll, o que aconselho a fazerem, habituem-se a este frame. Vão vê-lo muita vez. Porquê? A personagem principal desta série, Nadia, está presa num loop  que recomeça sempre da mesma forma: na casa de banho de Maxine, a amiga que lhe organizou uma festa para celebrar o seu 36º aniversário. 

 A história é desencadeada quando Nadia, uma mulher independente e com uma presença muito forte, representada por Natasha Lyonnesai pela primeira vez da festa e acaba por ser atropelada por um táxi. Misteriosamente, apesar de ter morrido, volta ao ponto de partida da noite e encara o espelho, sem perceber o que tinha acontecido e acreditando que tinha sido droga que a tinha feito ter alucinações. Rapidamente percebe que aquela noite seria a mais longa que já alguma vez tivera. Uma noite que começava sempre com a mesma música: a Gotta Get Up, de Harry Nilsson. Um Groundhog Day dos tempos modernos. Tal como um jogo que não nos deixa seguir em frente até completarmos as missões anteriores.

Uma história de loops - mentais e temporais -, que não é, de todo, repetitiva. Merece atenção, mas não ao ponto de se ficar com o cérebro feito em água, até porque a protagonista certifica-se de manter a comédia sempre presente, com o seu humor sarcástico, dono do seu nariz e inteligente. 
Foram oito episódios, de cerca de vinte minutos cada, que me deixaram presa, tal como a protagonista, a querer saber o que iria acontecer a seguir. Será que o universo queria tramar Nadia? Dar-lhe uma lição? Será um bug na linha do tempo? Será Nadia a única a ter uma noite infinita? Multidimensionalidade, infinitas opções e um puzzle maravilhoso que parece não ter solução. Uma boneca russa, cuidadosamente construída, que vai mostrando as suas camadas interiores.

Há terror, há drama, há comédia - uma caixa de surpresas. Um noir  que funcionou muito bem e que fez a Netflix triunfar mais uma vez. Terminou de forma muito completa e nõ pede segunda temporada, mas não me queixaria se existisse. O trailer é um pedaço do que podem esperar da série, e, eu, espero que gostem desta recomendação! 


um, dois, três

30 de janeiro de 2019

A conta que Deus fez, dizem. Para mim, é a contagem que faço e que se costuma prolongar até me acalmar. Conto os números e as cores à minha volta até me esquecer do pensamento que me perturba e me deixa com o coração apertado. Ah, se fosse só o coração - é o corpo todo. As palmas das mãos, mesmo que geladas, ficam suadas. Um quente e frio muito estranho. A sensação de que algo vai correr mal está presente cá dentro, e está a puxar o meu coração com uma corda, apertando e tornando o laço num abraço demasiado sentido para permitir o palpitar. 
Os pensamentos estão todos numa maratona sem fim nem organização. Os caminhos são infinitos. Não sabem de onde partem nem para onde vão. Aparecem ser avisar, tornando quem já lá estava numa posição desconfortável. Fazem com que deixem de acreditar em si, no seu trabalho, nas suas conquistas. Às vezes dura dez minutos, outras vezes meia hora. As contas, o quente e frio, o coração apertado, a maratona de pensamentos. 

Um, dois, três. Todas as coisas do universo acabarão por se encaixar. Umas nas outras. Como os meus pedacinhos em momentos como este.